| Título: | Cadáveres falantes, fantasmas acorrentados e juízes do purgatório : a violência como linguagem do poder e da conversão religiosa nos contos budistas milagrosos (490-589 E.C.) |
| Autor(es): | Lettieri, Bianca Melo |
| Orientador(es): | Rust, Leandro Duarte |
| Assunto: | China Budismo Religião |
| Data de apresentação: | 25-Jun-2025 |
| Data de publicação: | 14-Jan-2026 |
| Referência: | LETTIERI, Bianca Melo. Cadáveres falantes, fantasmas acorrentados e juízes do purgatório: a violência como linguagem do poder e da conversão religiosa nos contos budistas milagrosos (490-589 E.C.). 2025. 71 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em História) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025. |
| Resumo: | Esta pesquisa analisa diversos contos milagrosos Budistas Chineses (Records of Signs from the Unseen Realm / Mingxiang Ji / 冥祥記), compilados por Wang Yan por volta da Dinastia Qi (cerca de 490 E.C.), com foco nas manifestações de violência dentro de narrativas sobre o pós-vida. O objetivo é compreender como essas narrativas funcionaram como instrumentos político-religiosos para oficializar o Budismo, transformar religiões locais e promover a unificação político-cultural do império. A metodologia qualitativa combina análise textual detalhada dos contos com pesquisa histórica contextualizada. O estudo revela que a violência
simbólica e institucional atuou como ferramenta pedagógica e mecanismo de controle social, legitimando a autoridade clerical e o poder estatal. Os contos refletem o processo histórico de sincretismo religioso, apresentando uma cosmologia híbrida que incorpora elementos budistas, taoístas, confucionistas e tradições populares, mas estabelece a superioridade do Budismo como religião oficial. Ao relacionar as narrativas ao seu contexto histórico, este estudo conclui que os contos encontrados dentro do Mingxiang Ji são importantes fontes históricas primárias para a historiografia, evidenciando estratégias de conversão em massa e a
legitimação do poder religioso e imperial por meio de contos orais populares. Assim, os contos funcionam como ferramentas de poder para educar, disciplinar e integrar a população em uma nova ordem espiritual e política. Este estudo contribui para a historiografia ao oferecer uma interpretação interdisciplinar que articula literatura, história e religião, ampliando a compreensão das relações entre violência, sincretismo e política na China entre o final do século V e o século VI (490-589 E.C.). |
| Abstract: | This research analyzes various Chinese Buddhist miracle tales (Records of Signs from the Unseen Realm / Mingxiang Ji / 冥祥記), compiled by Wang Yan around the time of the Qi Dynasty (circa 490 CE), focusing on manifestations of violence within narratives about the afterlife. The objective is to understand how these narratives functioned as politicaland religious instruments to institutionalize Buddhism, transform local religions, and promote the political and cultural unification of the empire. The qualitative methodology combines
detailed textual analysis of the tales with contextualized historical research. The study reveals that symbolic and institutional violence acted as a pedagogical tool and social control mechanism, legitimizing clerical authority and state power. The tales reflect the historical process of religious syncretism, presenting a hybrid cosmology that incorporates Buddhist, Taoist, Confucian, and popular traditions, while establishing Buddhism’s superiority as the official religion. By relating the narratives to their historical context, this study concludes that
the tales found within the Mingxiang Ji are important primary historical sources for historiography, evidencing strategies of mass conversion and legitimization of religious and imperial power through popular oral tales. Thus, the tales function as tools of power to educate, discipline, and integrate the population into a new spiritual and political order. This study contributes to historiography by offering an interdisciplinary interpretation that
articulates literature, history, and religion, expanding the understanding of the relationships between violence, syncretism, and politics in China between the late 5th century and the 6th century (490-589 CE). |
| Informações adicionais: | Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – Universidade de Brasília, Instituto de Ciências Humanas, Departamento de História, 2025. |
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| Aparece na Coleção: | História
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