| Título: | O epistemicídio como ideal de justiça da mídia brasileira: uma análise comparada entre os casos Miguel Otávio e Henry Borel |
| Autor(es): | Ribeiro, Iasmim Rangel |
| Orientador(es): | Zackseski, Cristina Maria |
| Assunto: | Criminologia midiática Epistemicídio Racismo Seletividade penal |
| Data de apresentação: | 2-Dez-2025 |
| Data de publicação: | 6-Jan-2026 |
| Referência: | RIBEIRO, Iasmim Rangel. O epistemicídio como ideal de justiça da mídia brasileira: uma análise comparada entre os casos Miguel Otávio e Henry Borel. 2025. 111 f., il. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Direito) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025. |
| Resumo: | A seletividade estrutural da narrativa midiática brasileira sobre o sistema penal ocasiona o tratamento desigual de vítimas e agressores e configura um processo de epistemicídio que sustenta o Ideal de Justiça da Mídia. Com base nisso, o estudo realiza uma análise comparativa entre a cobertura jornalística dos casos de Miguel Otávio Santana da Silva (2020) e Henry Medeiros Borel (2021), utilizando-os para expor a dimensão de classe e raça no poder punitivo. O referencial teórico se assenta na Criminologia Midiática, que denuncia a mídia como catalisadora do punitivismo seletivo, e no conceito de Epistemicídio, que descreve o apagamento das narrativas de minorias sociais. A metodologia emprega uma análise comparativa e dual, abrangendo a mídia tradicional e o ambiente digital, estruturada em três eixos: Repercussão, Nomeação e Resposta. Os achados demonstram que o Caso Henry foi amplificado pela lógica do espetáculo, resultando na criação da Lei nº 14.344/2022, ao passo que o Caso Miguel foi marcado pela invisibilidade, sendo mantido em pauta pelo Luto Político e ativismo digital. Conclui-se que o luto público é seletivo, reservando a máxima dignidade à perda que se identifica com a elite, enquanto a vítima negra é submetida ao apagamento narrativo. Esta disparidade evidencia que o Ideal de Justiça da Mídia opera como um mecanismo de manutenção do racismo estrutural, confirmando o epistemicídio como um instrumento de controle narrativo. |
| Abstract: | The structural selectivity of the Brazilian media narrative concerning the penal system leads to unequal treatment of victims and aggressors and establishes a process of epistemicide that sustains the Media's Ideal of Justice. Based on this, the study performs a comparative analysis between the journalistic coverage of the cases of Miguel Otávio Santana da Silva (2020) and Henry Medeiros Borel (2021), using them to expose the dimension of class and race within the punitive power. The theoretical framework is based on Media Criminology, which denounces the media as a catalyst for selective punitivism, and on the concept of Epistemicide, which describes the erasure of social minorities' narratives. The methodology employs a comparative and dual analysis, encompassing traditional media and the digital environment, structured into three axes: Repercussion, Naming (or Nomination), and Response. The findings demonstrate that the Henry Case was amplified by the logic of the spectacle, resulting in the creation of Law No. 14.344/2022, while the Miguel Case was marked by invisibility, being kept in the spotlight by Political Mourning and digital activism. It is concluded that public mourning is selective, reserving maximum dignity for the loss that identifies with the elite, while the Black victim is subjected to narrative erasure. This disparity evidences that the Media's Ideal of Justice operates as a mechanism for maintaining structural racism, confirming epistemicide as an instrument of narrative control. |
| Informações adicionais: | Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) — Universidade de Brasília, Faculdade de Direito, 2025. |
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| Aparece na Coleção: | Direito
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