| Resumo: | Este estudo objetiva apresentar os efeitos da aplicação de uma proposta decolonial elaborada a
partir da adaptação da dramaturgia “O pequeno príncipe preto”, de Rodrigo França, e dos
pressupostos teóricos de Augusto Boal. Inicialmente, buscamos investigar a literatura sobre
decolonialidade, sobre a dramaturgia simultânea e sobre o teatro-debate de Boal. Com essa
fundamentação, pudemos analisar os traços de decolonialidade na obra. Posteriormente,
procuramos conhecer, debater e refletir sobre as opressões e os problemas sociais que
envolviam o grupo de participantes da pesquisa, estudantes do Centro de Ensino Médio 04 de
Ceilândia (CEM 04), escola pública do Distrito Federal. Dessa forma, essas informações
serviram como base para a realização da adaptação da obra. Além desses dados, colocando em
prática a dramaturgia simultânea e o teatro-debate entre estudantes-atores e estudantes-nãoatores (sonoplastas, iluminadores, figurinistas, maquiadores), fomos, aos poucos, adaptando e
remodelando, durante os ensaios, a dramaturgia original e definindo o roteiro da peça “Eu sou,
porque nós somos”, procurando dar um enfoque ainda maior para uma abordagem decolonial.
Por fim, a adaptação da obra de Rodrigo França foi apresentada em cinco sessões no CEM 04
durante a semana da Consciência Negra de 2024. Nossa proposta decolonial é uma importante
alternativa à escola para que não centralize os seus conhecimentos com base na cultura europeia.
Por meio dela, foi possível trazer a realidade desafiante da comunidade escolar para os palcos.
Este estudo se caracteriza como pesquisa social, pautado na proposta de pesquisa-ação. Parte
significativa da pesquisa foi aplicada, construída e desenvolvida juntamente com os
participantes. Em nossa proposta, houve uma busca pela interação com os partícipes com o
intuito de acompanhar e analisar os efeitos das atividades propostas. Percebemos que, por meio
das ações empreendidas e dos debates realizados, a pesquisa auxiliou os estudantes a
potencializarem o conhecimento que têm de si e do grupo. Apesar das resistências e das
dificuldades encontradas na escola para a aplicação do estudo, a proposta foi executada de
maneira exitosa. Assim, constatamos que conseguimos atingir o objetivo deste estudo, sendo
isso possível graças ao engajamento dos participantes para a sua concretização. |