| Resumo: | O desenvolvimento da resistência aos antimicrobianos não é recente e hostiliza a saúde global, em virtude de elevar o tempo de internação de pacientes, os gastos com a saúde e as taxas de morbidade e mortalidade da população. Inserido neste contexto, a pandemia de COVID-19 agravou notavelmente o uso indiscriminado de antimicrobianos nos hospitais, principalmente devido à falta de conhecimentos neste cenário. O objetivo deste trabalho compreende analisar o perfil microbiológico e de resistência de bactérias aos antibióticos (ATB) que são utilizados no pronto socorro (PS) de um hospital público do Distrito Federal, examinando os dados obtidos nos períodos antes e durante a pandemia de COVID-19. Esta pesquisa é de natureza observacional retrospectiva e foi realizada a partir de laudos microbiológicos de cultura de sangue e urina dos anos de 2018 a 2022 (2018 e 2019: pré-pandemia; 2020 a 2022: pandemia) de pacientes internados no pronto socorro. O perfil de resistência foi realizado para os microrganismos mais prevalentes em cada cultura e para todos os anos, associando também aos antibióticos mais aplicados na prática clínica da respectiva área assistencial. Para definição dos ATM preconizados por MO, foi utilizada a plataforma BrCAST de 2022. Foi analisada a presença dos ATM na lista de medicamentos essenciais da OMS e na Rename, assim como foram categorizados
segundo a classificação AwaRe. Inicialmente, foram analisados 523 laudos, sendo 306 de hemoculturas (58,5%) e 217 de urina (41,5%). Com relação aos achados de hemocultura, as espécies mais prevalentes Staphylococcus epidermidis (N=49; 16,0%) e Staphylococcus aureus (N=46; 15,0%). É importante mencionar que praticamente todos os principais MO aumentaram sua prevalência na pandemia, com destaque a Escherichia coli, Staphylococcus epidermidis e Staphylococcus aureus. Quanto aos dados de hemocultura, todos os MO apresentaram resistência a 3 ou mais ATB (RMD). A taxa de resistência dos microrganismos de hemoculturas se apresentou alta tanto antes quanto durante a pandemia, principalmente os da espécie
Staphylococcus aureus. Nos laudos de urina, os MO mais frequentes foram Escherichia coli (N=87; 40,1%), Klebsiella pneumoniae (N=45; 20,7%) e Staphylococcus epidermidis (N=12; 5,5%). Ao comparar as frequências antes e durante a pandemia, todos os principais MO tiveram sua prevalência aumentada
durante a pandemia, com destaque aos MO Staphylococcus epidermidis, Staphylococcus hominis subsp. hominis e Staphylococcus aureus. Houve predominância de Klebsiella oxytoca e Staphylococcus sciuri na pré-pandemia. Os laudos de urina indicaram todos os MO como RMD. A taxa de resistência dosmicrorganismos Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae e Proteus mirabilis apresentaram redução durante a pandemia. Os resultados obtidos por meio desta pesquisa demonstraram que os microrganismos analisados adquiriram níveis elevados de resistência microbiana, o que pode explicar o perfil microbiológico obtido na unidade assistencial do pronto socorro. Tendo isso em vista, faz-se necessária uma maior atenção por parte da equipe interprofissional do hospital quanto à prescrição de ATB, visto que o cenário de pandemia favorece o desenvolvimento de resistência microbiana, configura um risco à saúde coletiva e requer posicionamentos e condutas em variadas instâncias que permitam minimizá-los. |