| Título: | Nem os mortos são esquecidos tão facilmente : encarceramento em massa e práticas de subjetivação na Penitenciária Feminina do Distrito Federal |
| Autor(es): | Rodrigues, Eduardo de Oliveira |
| Orientador(es): | Almeida, Mariléa de |
| Assunto: | Encarceramento feminino Sistema prisional Mulheres encarceradas |
| Data de apresentação: | 11-Dez-2025 |
| Data de publicação: | 12-Fev-2026 |
| Referência: | RODRIGUES, Eduardo de Oliveira. Nem os mortos são esquecidos tão facilmente: encarceramento em massa e práticas de subjetivação na Penitenciária Feminina do Distrito Federal. 2025. 75 f., il. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em História) – Universidade de Brasília, Brasília, 2025. |
| Resumo: | Esta pesquisa analisa as experiências de mulheres privadas de liberdade no contexto do crescimento da população carcerária feminina no Brasil entre 2000 e 2024. Busca-se compreender de que maneira as práticas de controle e disciplina produzem formas de subjetivação e de que modo essas mulheres constroem estratégias de enfrentamento, produzindo contranarrativas que desafiam os mecanismos de dominação e os processos de assujeitamento que estruturam o sistema carcerário. Observando as condições históricas que sustentam o superencarceramento, o estudo dialoga com as proposições teóricas do abolicionismo penal e das epistemologias feministas negras, que se contrapõem aos discursos hegemônicos sobre o encarceramento e oferecem uma leitura interseccional para a crítica da lógica punitiva e da permanência das prisões como tecnologia de controle social. A investigação utiliza como fontes cartas escritas por mulheres custodiadas na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, enviadas a um programa de rádio comunitária, bem como a análise do evento de censura que resultou na proibição dos rádios na unidade em 2004. Nessas correspondências, observam-se tanto as práticas de assujeitamento operadas pelo dispositivo prisional quanto práticas de subjetivação pelas quais essas mulheres elaboram agenciamentos que lhes permitem interpretar, ressignificar e enfrentar a realidade vivida no cárcere. A análise constata que as cartas operam como arquivos de si, nos quais a escrita assume uma função política de autoinscrição e nos quais a comunicação se articula como uma rede coletiva de preservação da memória e afirmação da existência. Ao narrar suas experiências, essas mulheres produzem conhecimento sobre si, reconstroem sentidos de humanidade e resistem às formas de silenciamento impostas pelo dispositivo prisional. As narrativas apresentadas desestabilizam discursos de criminalização e ampliam as possibilidades de uma abordagem histórica sobre o tema, evidenciando os entrelaçamentos entre raça, gênero e classe na estrutura do sistema prisional brasileiro. |
| Abstract: | This research analyzes the experiences of women deprived of liberty within the context of the growth of the female prison population in Brazil between 2000 and 2024. It seeks to understand how practices of control and discipline produce forms of subjectivation, and how these women construct strategies of resistance, generating counter-narratives that challenge the mechanisms of domination and the processes of subjection that structure the prison system. By examining the historical conditions sustaining mass incarceration, the study engages with the theoretical propositions of penal abolitionism and Black feminist epistemologies, which oppose hegemonic discourses on imprisonment and offer an intersectional framework for critiquing punitive logics and the persistence of prisons as technologies of social control. The investigation draws on letters written by women held in the Female Penitentiary of the Federal District and sent to a community radio program, as well as on an analysis of the censorship event that resulted in the prohibition of radio devices in the unit in 2004. These correspondences reveal both the practices of subjection enforced by the prison apparatus and the practices of subjectivation through which these women construct forms of agency that enable them to interpret, resignify, and confront the lived reality of incarceration. The analysis shows that the letters operate as archives of the self, in which writing assumes a political function of self-inscription and communication emerges as a collective network for the preservation of memory and the affirmation of existence. By narrating their experiences, these women produce knowledge about themselves, reconstruct meanings of humanity, and resist the forms of silencing imposed by the prison device. The narratives presented destabilize discourses of criminalization and expand the possibilities for historical approaches to the subject, evidencing the entanglements of race, gender, and class within the structure of the Brazilian prison system. |
| Informações adicionais: | Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – Universidade de Brasília, Instituto de Ciências Humanas, Departamento de História, 2025. |
| Licença: | A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor que autoriza a Biblioteca Digital da Produção Intelectual Discente da Universidade de Brasília (BDM) a disponibilizar o trabalho de conclusão de curso por meio do sítio bdm.unb.br, com as seguintes condições: disponível sob Licença Creative Commons 4.0 International, que permite copiar, distribuir e transmitir o trabalho, desde que seja citado o autor e licenciante. Não permite o uso para fins comerciais nem a adaptação desta. |
| Aparece na Coleção: | História
|
Todos os itens na BDM estão protegidos por copyright. Todos os direitos reservados.