| Resumo: | Introdução: O câncer é um dos maiores desafios de saúde pública global, sendo
uma das principais causas de morte prematura em indivíduos com menos de 70
anos. O aumento da incidência e mortalidade por câncer está relacionado a
transições demográficas e epidemiológicas, como o envelhecimento populacional
e mudanças ambientais e comportamentais. Enquanto o câncer em adultos está
associado a fatores ambientais e hábitos de vida, o câncer infantil geralmente
resulta de alterações genéticas presentes ao nascer. O tratamento do câncer
infantil envolve abordagens multidisciplinares, como quimioterapia, cirurgia e
radioterapia, mas exige atenção rigorosa às interações medicamentosas e efeitos
adversos. Este trabalho propõe a criação de bulas simplificadas para facilitar o
entendimento de cuidadores e profissionais de saúde, promovendo a adesão ao
tratamento e melhorando a qualidade de vida das crianças em tratamento
oncológico.
Métodos: O estudo utilizou o sistema ATC (Anatomical Therapeutic Chemical)
para classificar os quimioterápicos, organizando-os com base em seus
mecanismos de ação e alvos moleculares. As interações medicamentosas foram
classificadas como farmacocinéticas (absorção, distribuição, metabolismo e
excreção) ou farmacodinâmicas (efeitos no organismo). Foram consultadas bases
de dados como UptoDate, Clinicalkey, Micromedex e PubMed, além de livros de
referência em farmacologia. Para orientar cuidadores, foi adotada uma
abordagem visual com o uso de cores (semáforo) e linguagem acessível,
categorizando interações como "contraindicação" ou "precaução". As orientações
para profissionais de saúde incluíram informações técnicas sobre interações e
manejo clínico.Resultados: Os quimioterápicos foram classificados segundo o sistema ATC,
com destaque para agentes alquilantes (ciclofosfamida, ifosfamida),
antimetabólitos (metotrexato, mercaptopurina) e análogos de pirimidinas
(azacitidina, citarabina). As interações farmacocinéticas identificadas envolveram
principalmente absorção, metabolismo (via citocromo P450) e excreção, exigindo
ajustes de dosagem e intervalos de administração. Já as interações
farmacodinâmicas, como hepatotoxicidade e neurotoxicidade, foram classificadas
como contraindicações devido ao sinergismo de efeitos adversos. As orientações para cuidadores e profissionais de saúde foram elaboradas de forma clara e
prática, visando reduzir erros de medicação e promover a segurança do paciente.
Conclusão: O estudo destacou a importância de estratégias educativas e de
comunicação clara para melhorar a adesão ao tratamento e a segurança no uso
de medicamentos oncológicos pediátricos. A classificação dos quimioterápicos
pelo sistema ATC e a identificação de interações farmacocinéticas e
farmacodinâmicas permitiram orientações precisas para profissionais de saúde e
cuidadores. A criação de bulas simplificadas e o uso de abordagens visuais
facilitaram o entendimento de informações complexas, promovendo o
engajamento de pacientes e familiares no tratamento. Essas iniciativas
alinham-se às diretrizes da OMS para reduzir danos relacionados a
medicamentos e otimizar os resultados terapêuticos, garantindo um cuidado mais
humanizado e eficaz para crianças em tratamento oncológico. |