| Resumo: | O cenário alimentar contemporâneo é marcado pela crescente industrialização das refeições,
aumento da ingestão de produtos alimentícios de baixa qualidade nutricional e impactos severos
das práticas alimentares na saúde coletiva e no ecossistema, gerando a necessidade de alteração
dos comportamentos de consumo. Nesta toada, é possível, então, observar o comportamento como
resultado da integração de diversos fatores, que, em interação, produzem determinados hábitos. O
modelo COM-B apresenta estes fatores influenciadores do consumo agrupados em 3 dimensões:
capacidades, objetivos e motivações, que podem sofrer intervenções e gerar as condutas desejadas.
Frente a isso, este trabalho teve como objetivo avaliar as capacidades, oportunidades e motivações
que influenciam o comportamento de consumo alimentar em diferentes gerações. A abordagem
geracional se mostra pertinente porque indivíduos pertencentes a um mesmo grupo geracional
apresentam comportamentos em comum e se diferenciam dos demais agrupamentos pelos cenários
cultural e socioeconômico que compartilharam ao longo da vida. Para atingir esse objetivo, foi
realizada uma pesquisa quantitativa, descritiva e aplicada, englobando participantes pertencentes
às gerações Baby Boomers, X, Y (Millennials) e Z. A coleta de dados foi realizada por meio de um
questionário estruturado, que abordou as dimensões do modelo COM-B, e os dados foram
analisados utilizando técnicas estatísticas, como Análise Fatorial Exploratória (AFE) e Análise de
Variância (ANOVA). Os resultados indicaram que as gerações diferem significativamente quanto
às motivações alimentares, sendo que a geração Z foi mais influenciada por aspectos emocionais,
enquanto as gerações mais velhas se mostraram mais preocupadas com a saúde e planejamento
alimentar. Além disso, foi constatado que as capacidades, como habilidades culinárias e o
conhecimento sobre alimentação saudável, e as oportunidades, como a disponibilidade de
alimentos, também desempenham papéis importantes nas escolhas alimentares para a maioria das
gerações. Por fim, identificou-se pouca relevância de variáveis, como sexo e renda, nos resultados
observados. A pesquisa contribui para a compreensão das influências que moldam os
comportamentos alimentares intergeracionais e sugere que as intervenções para promover hábitos
alimentares mais saudáveis e sustentáveis devem ser segmentadas de acordo com as características
de cada geração. |